Parques no Morro Doce

Projeto: dezembro 2016

Arquitetura: Anita Freire e Georgia Lobo e Grupo Fresta: Carolina Saconi, Luan Carone e Otavio Sasseron

Modelo eletrônico: Bhakta Krpa

Cliente: Reconverte Engenharia
Localização: Sítio Itaberaba, Perus, São Paulo, SP

 

 

Este projeto surge com o intuito de propor espaços de lazer em duas áreas no bairro de Itaberaba, em Perus. Estas áreas, por serem áreas de risco, não poderão conter ocupações de uso permanente, sendo necessária a retirada de 55 moradias existentes, vulneráveis aos escorregamentos. Com o objetivo de dar um uso à estas áreas e evitar futuras ocupações, foi proposto nesta área dois parques urbanos: o Parque das Pipas com área aproximada de 10.740 m2, e o Parque Zabelê, com área aproximada de 8.900 m2.

 

Para a viabilização deste projeto, foi de grande importância o uso de elementos de contenção, com dupla função: uma de criar um sistema de contenção com muros capazes de reter a energia das corridas de lama, impedindo a propagação da destruição nas áreas mais baixas do bairro; e outra de possibilitar a criação de praças e espaços possíveis de serem utilizados para a recreação da população.

Esses muros de contenção deverão ser de gabião (estrutura armada de caixas de tela de aço preenchidos preenchidas com pedra), e terão a altura variando entre um e quatro metros. Além da função de contenção, os muros também desempenharão um papel importante no mobiliário do parque, propiciando o uso lúdico do material.

 

Outro ponto importante do projeto é a condução, controle e retenção das águas. Tanto a água pluvial como água de uma nascente encontrada no Parque Zabelê. No Parque das Pipas é proposto um sistema de drenagem com caneletas de 30 cm de diâmetro, paralelo aos muros de contenção. Já no Parque Zabelê, além das canaletas paralelas também é proposto uma canaleta central, mais larga, e uma bacia de contenção, que na época da chuva estará cheia e na época da seca funcionará como praça. Neste Parque também é proposto uma bacia de retenção junto a nascente, onde o controle da qualidade da água será mantido por um jardim filtrante.

Quanto a proposta de ocupação, a premissa é de disponibilizar o máximo possível de área para reconstituição da vegetação local (os futuros parques situam-se na borda da serra Cantareira, onde a vegetação nativa é a Mata Atlântica), portanto, a maior parte do parque será constituída de vegetação densa.

Pequenas praças ocupando o centro de cada um dos parques, que se situam cada um em um vale, são propostas por meio dos pequenos muros de contenção, ajustando-se à topografia.

A ideia é que cada praça tenham usos e programas específicos, diversificando o máximo possível o seu público potencial. Este programa foi proposto a partir da leitura dos usos do local e discutido junto as assistentes sociais da Prefeitura Municipal de São Paulo, responsáveis pela região.


Essa série de praças públicas interligadas, abertas aos mais diversos usos, com amplas áreas verdes, espaços de lazer e locais planejados para desenvolvimento de atividades, trarão mais qualidade de vida à comunidade, sem impor riscos de vida à população da vizinhança.

 

Assim são propostas: a Praça do Cinema, que poderá ter projeções; a Praça de Exposição, aonde será exposta a origem do parque e os riscos aos quais está submetido; a Praça do Futebol; a Praça do Anfiteatro, a Praça das Crianças, com brinquedos variados, a Praça dos Jogos; a Praça da Ginástica, com os equipamentos adequados; a Praça do Piquenique e as Praças Mirantes, aproveitando as incríveis vistas da região.

Como conexão entre as praças são propostos escadas, passarelas, rampas e escorregadores. Como as declividades nos parques são muito altas (a média de declividade é de 29% no Parque Pipas e de 39% no Parque Zabelê), foi inviável manter acessibilidade entre todos os níveis das praças, entretanto, procurou-se, sempre que possível, implementar a ligação entre as praças e os principais acessos da rua por meio de rampas com baixa declividade.

As escadas e passarelas, quando não estão no solo, são estruturas suspensas bem leves (estrutura metálica com deck), que tocam o solo nos mínimos pontos necessários.

Os espaços destinados às crianças também assumem um papel fundamental neste projeto. A ideia é que, ao invés de inserir brinquedos prontos que já indiquem o que a criança deva fazer, propor nos lugares lúdicos mecanismos e locais que incentivem a criança a se apropriar do espaço da melhor maneira possível, usando a imaginação no brincar de modo ativo. Assim os muros de gabião vão se transformando em bancos, mesas, área de escalada, teatro, mirante, escorregador... Outros objetos também são dispostos no espaço promovendo os mais diversos usos: pau de sebo, ping pong, trepa-trepa, etc...
 

Montagem Implantação Parque Zabelê

 

Montagem Implantação Parque Pipas

Corte Parque Zabelê

 

Corte Parque Pipas

 


O projeto, ainda em fase conceitual, será plenamente discutido com a comunidade para atender às necessidades de lazer, esporte e cultura do bairro, pretendendo transformar-se em um novo espaço simbólico de encontro e pertencimento dos moradores.

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Perscpectivas Parque Pipas

 

Perspectica Parque Zabelê