TFG – Santa Maria

Projeto: 2008.

Equipe: Georgia Lobo

Orientador: Luis Mauro Freire

 

A verdade perseguida neste trabalho foi a possibilidade de representação de formas literárias em formas de projeto de arquitetura, entendendo valores simbólicos e conceitos previamente formados que possam resultar em desenhos.

 

Não há inocência nas formas imaginárias, mas, sim, formas investigativas de conhecimento e exercício da relação entre o que se deseja e o que se manifesta necessário. É a construção de um discurso referente a uma memória ou futuro, que se possa ter em comum dentro de uma cultura arquitetônica.

 

Parte-se da premissa de que o imaginário e o real acontecem em tempos diferentes. O tempo imaginário se estende pelo espírito do conhecimento e de criação, tendo como finalidade a representação de um objeto ausente; ou seja, é um tempo marcado pelo ritmo de sinopses, resumos mentais. Já o tempo real, é o tempo que abrange nosso cotidiano, o espaço de materialização do objeto imaginado, o curto momento de 24 horas.

 

“(...) O presente é o lugar no qual se dão as experiências cotidianas, o hoje, ‘aqui e agora’  tão desatendido por tantas outras formas do pensamento. Transformar esse presente cotidiano em uma força criativa, aprender a ver nele um substrato poético com o qual se pode construir...(...)”.1

 

É importante dizer que o imaginário parte de algum pressuposto, de alguma noção.

 

Um exemplo bem-sucedido dessa intenção foi alcançado nas casas-pátio de Mies Van der Rohe. As linhas que formam os pátios, conformam os ambientes e estudam as possibilidades de se viver são inspiradas nas palavras de Nietzsche.

 

O ponto de partida deste trabalho foi a descrição de Juan Carlos Onetti sobre uma cidade imaginária chamada Santa María, uma cidade possível no tempo.

 

Por meio dos estudos realizados ao longo da faculdade e da leitura dos contos de Onetti, tivemos certeza de que a orla ferroviária seria o desafio deste trabalho, por ser um elemento que torna a cidade descontínua, mas, ao tempo, liga histórias de diferentes cidades.

 

Os pátios destinados às manobras de trens que acontecem ao longo do eixo ferroviário podem ser interpretados como contos de Onetti, abertos para diversas interpretações, perguntas e respostas.

 

A vontade, então, foi eleger algum desses pátios-conto para desenvolver o projeto de arquitetura.

 

A Favela do Moinho, localizada entre os trilhos da CPTM, e seu entorno (bairro do Bom Retiro e Santa Cecília) marcam a escala local, enquanto o eixo ferroviário marca a escala metropolitana.

 

Santa María não está representada graficamente no projeto, mas está na simbologia, na vontade de cidade, na tentativa de humanizar um território tão complexo, de tornar os fatos mais simples.

 

Desejo que São Paulo seja Santa María e que Santa María seja o que se sente.

 

Desenho de Santa Maria (a cidade imaginária de Juan Carlos Onetti)

Inserção em São Paulo

Favela do Moinho - silos ao fundo e prédio do Moinho (antigo prédio da família Matarazzo)

Modelo eletrônico - Carolina Klocker

Planta de situação

Modelo eletrônico - Carolina Klocker

Foto inserção do modelo eletrônico (foto Nelson Kon)

Corte longitudinal

Desenho de estudo da biblioteca

Planta subsolo - túnel e biblioteca

Desenho de estudo do túnel

Planta Estação - acesso ao trem e biblioteca

Corte transversal

Desenhos de estudo dos silos com livros raros

Corte transversal